A pesquisa procura compreender as narrativas presentes, em exposições permanentes de museus do comunismo, surgidos na sequência do fim do comunismo e da desagregação da URSS (1991), na Alemanha e na Polônia. Além de museus autodenominados do comunismo, serão objeto de análise as narrativas de exposições permanentes dedicadas ao assunto, em museus históricos já existentes na década de 1990. Considero, assim, este conjunto de exposições como museus do comunismo.
Entre os países do Leste, será estudada a Polônia, seguindo o recorte feito no projeto anterior sobre museus e memoriais da Resistência à ocupação alemã e ao nazismo. Dois eixos moldam estas narrativas de memória: a vida cotidiana e a repressão do regime. A ênfase em um eixo ou em outro varia entre as narrativas dos museus do comunismo. Há um terceiro eixo condutor das narrativas não especificado, formalmente, mas evidente: a comparação com o mundo que, ao longo dos anos de polarização da Guerra Fria, esteve no campo capitalista.
Os países viveram a experiência comunista e a digeriram -, segundo seus respectivos passados, nas curta, média e longa durações (BRAUDEL, 1976). Considerar tais temporalidades é essencial para a compreensão das distintas memórias dos anos de comunismo. Tais memórias resultam nas narrativas desses museus, assim como elas (as narrativas) participam na construção delas (das memórias).
Como toda construção de memória, o ponto de vista sobre o passado está no presente. Assim, lembrar os anos sob o comunismo, nesses espaços da recordação (ASSMANN, A., 2011), pode se ligar à defesa da democracia ou à sua rejeição. No quadro de ascensão das extremas-direitas na Europa (e não somente nesse continente), os museus e memoriais do comunismo cumprem uma ou outra missão (termo usado nos museus), nas disputas políticas do presente, mirando o futuro desejado.


