Carlos Lacerda (1914-1977) foi um dos políticos brasileiros mais importantes de meados do século XX. Consagrado no jornalismo como repórter e colunista do Correio da Manhã e diretor-presidente da Tribuna da Imprensa, eleito vereador, deputado federal e governador pela União Democrática Nacional (UDN), Carlos Lacerda se tornou líder da oposição no Rio de Janeiro entre as décadas de 1950 e 1960, ocupando papel central em diversas crises políticas.
Porém, a produção acadêmica deu pouca atenção às suas ideias até o momento, tributária de uma memória política que ora realça o golpismo professado pelo tribuno, ora a sua competência administrativa, sem buscar compreender a complexidade da sua ideologia.
O objetivo desta pesquisa será investigar o pensamento político de Carlos Lacerda, considerando as especificidades da forma pela qual o personagem concebia o político e a organização do poder na sociedade brasileira.
A hipótese central da pesquisa é a de que o pensamento político lacerdiano foi caracterizado, no contexto de uma trajetória complexa, principalmente, pela defesa do autoritarismo instrumental e do elitismo liberal como vias de instauração da democracia no Brasil, coexistindo com propostas reformistas elaboradas a partir de 1945.


