Este projeto propõe estudar os processos de integração dos países da Europa Central na União Europeia (UE) após a queda dos regimes comunistas na região. Mais especificamente, concentra-se nas reivindicações de integração de suas memórias em âmbito europeu. Com relação às políticas sobre o passado, desde meados da década de 1960, a Europa Ocidental deu início a um processo a partir do qual substituiu aos poucos o “paradigma nacional da resistência” pelo “paradigma transnacional da Shoah”. Este transformava-se em um critério de memória capaz, em tese, de unificar o continente. A partir da década de 1990, não obstante, os chamados países pós-comunistas reivindicam para si um outro paradigma memorialístico. Consideram que foram vítimas do nazismo e, em seguida, do comunismo. Reclamam que para além do Holocausto, os crimes do comunismo sejam reconhecidos como parte das políticas de memória da UE. São, portanto, os meandros dos processos de construção e discussões em torno da memória dos países pós-comunistas diante do paradigma memorialístico erigido pela UE, que este projeto propõe analisar. Para tanto, tomarei como estudo de caso específico a experiência da Hungria, entre 1989 e 2022, com atenção especial aos anos que correspondem à ascensão do FIDESZ ao poder, partido populista de direita, a partir de 2010.


