Este projeto se propõe a estudar as ações da Grã-Bretanha na Europa durante os anos iniciais da Guerra Fria. Mais especificamente, concentra-se nas atitudes tomadas pelo governo trabalhista britânico, liderado por Clement Attlee, diante de duas crises simultâneas transcorridas em 1948 e 1949: o bloqueio de Berlim imposto pela União Soviética e a cisão entre o líder soviético Josep Stalin e sua contraparte na Iugoslávia, Josip Tito. Sabe-se que Berlim e toda a Alemanha — dividida entre a URSS e as potências ocidentais após a Segunda Guerra Mundial — eram um ponto nodal de tensões acumuladas, por ser o território onde se encontravam as forças que progressivamente se organizavam em blocos antagônicos: o autointitulado mundo livre capitalista e a esfera das chamadas democracias populares socialistas.
Ao mesmo tempo, os desentendimentos entre soviéticos e iugoslavos — por conta de projetos colidentes de relações exteriores e de construção do socialismo — explicitavam contradições no interior do campo comunista europeu. Diante da crescente complexidade política da Europa, a Grã-Bretanha, tentava, por intermédio de diferentes projetos de poder, manter sua hegemonia internacional em um mundo onde as antigas potências coloniais viam seu espaço progressivamente reduzido.
Tendo esse quadro em mente, pretendemos estudar, a partir principalmente da análise dos debates parlamentares britânicos, como os líderes do Reino Unido procuraram se posicionar, contornar ou tirar proveito das crises europeias com intenção de preservar o prestígio e a importância da Grã-Bretanha nos momentos iniciais da Guerra Fria. Espera-se que a pesquisa, uma vez completada, permita compreender alguns aspectos das transformações pelas quais a Europa passava na década de 1940.


