O projeto busca analisar as contribuições dos movimentos e/ou intelectuais indígenas na América Latina com ênfase na experiência boliviana, em particular nos intelectuais e movimentos indianistas dos anos 1970 e 1980. Discursos como o de Fausto Reinaga (1906-1994, Bolívia) questionam as estruturas coloniais que se perpetuam mesmo após a independência e o racismo que anula as existências e as subjetividades indígenas. Um dos desdobramentos de suas provocações foi a eleição do primeiro presidente indígena da América do Sul e, por conseguinte, a assinatura de um novo Pacto Social que redefiniu o Estado para Plurinacional e Comunitário, além de assumir o Bem Viver como um horizonte de sentido.
Tais mudanças dialogam com saberes ancestrais das Américas que re-existiram ao longo dos mais de 500 anos de colonialismo eeurocentrado. A decolonialidade se apresenta como um campo teórico que se distancia de um caráter pretensamente objetivo e universal reivindicado pela história ocidental e confere ênfase ao lugar e aos corpos de onde partem as ideias, sobretudo aqueles racializados por esta mesma ordem.
Deste modo, estreita-se o diálogo com uma produção bibliográfica e documental latino-americana que, sem perder de vista um contexto mais amplo da produção do conhecimento, marca uma posição no sentido de depurar o legado de matriz eeuurocentrica ao passo em que traz maior visibilidade para os saberes produzidos no seio das lutas e reflexões desenvolvidas nessa alteridade epistêmica, contribuindo, assim, para a de(s)colonização do pensamento e da historiografia.
Deste modo, a proposta é realizar um estudo dirigido em torno de três eixos fundamentais: a) análise de textos selecionados de Fausto Reinaga ; b) reflexão sobre sua obra e trajetória nos marcos da História Intelectual que articula a produção textual ao contexto no qual esta se insere, questionando a forte tendência ao anacronismo presente nas tradicionais histórias das teorias políticas e sociais; c) evidenciar os desdobramentos desse estudo no âmbito de uma proposta de de(s)colonização do pensamento e da historiografia.


