Esta pesquisa dá continuidade à minha monografia de conclusão de curso, apresentada na UFPE, na qual analisei os anos iniciais da Ação Católica Rural (ACR), entre 1965 e 1969. Agora, investigo as estratégias de atuação do movimento no Nordeste brasileiro durante o período mais repressivo da ditadura militar, de 1969 a 1974.
Parto de uma lacuna historiográfica que identifiquei, já que há muitos estudos sobre a politização do campo antes de 1964 e sobre a atuação da Comissão Pastoral da Terra (CPT) a partir dos anos 1970, mas o intervalo entre esses dois momentos, sobretudo após o AI-5, ainda é pouco explorado.
Analiso de que maneira a ACR atuou como instância de mediação entre direitos, repressão e organização camponesa, tendo como hipótese que, nessa fase por ela chamada de "duros amadurecimentos", o movimento reelaborou a noção religiosa de "direitos divinos" como estratégia discursiva para fomentar a conscientização e a organização rural, evitando o confronto direto com o regime.
Utilizo como fonte principal o jornal Grito no Nordeste, compreendendo-o como discurso, prática e espaço de mediação, com o objetivo de contribuir para a historiografia dos movimentos sociais rurais e para a história do catolicismo no Brasil, complexificando o entendimento sobre as formas de resistência e reorganização no campo durante a ditadura civil-militar.


