A pesquisa pretende compreender a construção de memória acerca da Resistência na Polônia ocupada pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial nas narrativas de museus e memoriais dedicados ao assunto. São objeto de análise o Museu do Levante de Varsóvia, na capital polonesa, e o Museu do Exército da Pátria, em Cracóvia, entre outros (ver projeto). Quanto aos memoriais, serão estudados o Memorial do Levante de 1944 (Varsóvia) e os memoriais da Revolta do Gueto de Varsóvia (1943), tanto o mais conhecido, como os demais localizados em outros pontos da cidade (casamata das lideranças da Revolta; lugar da estação da qual os judeus eram deportados; única ruína do muro do Gueto; demarcação no chão onde outrora existiu o muro etc.).
Incluindo a Revolta do Gueto como Resistência, busca-se contribuir com o debate historiográfico acerca da pertinência ou não de conceituá-la como tal. Também tomarei como objeto da pesquisa a própria Cidade Velha, a parte histórica da capital polonesa, considerando-o um "museu a céu aberto".
Destruída no massacre ao Levante de 1944, a Cidade Velha foi reconstruída na década de 1950, segundo a arquitetura e a urbanização existentes antes da guerra, tornando-se Patrimônio Mundial Histórico e Cultural da UNESCO, em 1966. A análise das narrativas dos museus e memoriais verificará em que medida as desconstruções de versões mitificadoras da Resistência polonesa estão ou não neles integradas. Refiro-me à abordagem de temas-tabu, como o da colaboração, presentes em certa historiografia nas últimas décadas.
Conceitualmente, a pesquisa se insere nas discussões sobre a profusão de museus e memoriais relativos às tragédias da Segunda Guerra através do conceito de "lugares de memória" (NORA, 1984, 1992, 1993) e "espaços da recordação" (ASSMANN, 2011). Considerando a centralidade da questão do Estado-nação na Polônia (antes e depois da guerra), bem como as particularidades do país no conflito (dupla e brutal invasão e ocupação; massacre de civis; genocídio judaico; criação de guetos; multiplicação de campos de concentração e extermínio etc.), investiga-se até que ponto o conceito de Pierre Nora se atualiza no entendimento dos museus e memoriais no país como meio de afirmação do caráter nacional.


